domingo, 21 de agosto de 2011

O diploma de jornalista e a qualificação do vereador


Por Fernando Almeida
Recentemente tive a oportunidade de acompanhar as sessões da Câmara Municipal de Araguaína, avaliar as opiniões que cada vereador emite e analisar os projetos votados pela casa. Numa discussão um parlamentar disse está ansioso para que venha uma Faculdade de Jornalismo à Araguaína, a fim de que melhore o conteúdo dos sites na cidade. Embora as referidas palavras foram ofensivas à classe dos web jornalistas, todavia não pretendo responder as críticas, mas sim fazer uma reflexão sobre a importância da qualificação do profissional para o exercício do trabalho.
Vale ressaltar que a patente de jornalista já caiu, sendo que um curso para a área talvez não fosse tão eficaz, como pensa o vereador.  Inclusive o parlamentar esqueceu que uma graduação em letras, curso que estuda profundamente a língua portuguesa, proporciona a mesma qualificação e os profissionais formados já tinham o amparo legal para exercer o jornalismo. Isso mostra o quanto o parlamentar está desatualizado e precisa de uma qualificação urgente.
Desde o acontecido fiquei observando com mais detalhes que as empresas investem em treinamentos específicos para os funcionários de cada área, que os professores participam de formação continuada e ingressam na universidade, os motoristas passam por aulas teóricas e práticas;  os autônomos buscam orientação no SEBRAE, afim de melhorar a qualidade dos serviços; enfim,  a maioria das pessoas se preparam o máximo possível para se destacarem no mercado de trabalho.
Percebi também que aumenta o número de sites de notícias na cidade, e cada um com sua linha editorial busca se consolidar no mercado. Observei também que eles fazem uma criteriosa seleção das informações para proporcionar ao leitor um conteúdo que além da veracidade na informação, seja relevante e prenda a atenção do internauta; estou referindo à técnica na elaboração da notícia, o uso dos recursos lingüísticos, a clareza nas manchetes, a qualidade das fotografias, layout e demais elementos. Todo o investimento tem um único objetivo: melhorar em qualidade.
Que um profissional tem que estar preparado, ninguém tem dúvida.   Até o vereador reconheceu. Mas observando que o parlamentar, ao fazer as críticas sobre o uso inadequado de um determinado grafema num texto jornalístico, cometeu ao menos três erros gramaticais, fiquei a pensar que ele teria que saber para depois corrigir. Passado alguns dias do episódio comecei a concluir friamente que a qualificação é importante para todos. Inclusive para vereadores.
A crítica do parlamentar suscitou uma idéia: Se um curso superior melhora a qualidade do profissional jornalista, também pode melhorar o desempenho do vereador. Para todas as outras profissões é necessário que o profissional preencha determinados requisitos técnicos ou psicológicos. Porque para o cargo de vereador não exige nenhuma qualificação? Se a pessoa souber ler, pode ser eleito.
Um médico, um professor, engenheiro, advogado e demais profissionais passam em média de 4 a 5 anos numa faculdade, estudando teorias e trabalhando a prática através dos estágios e ao saírem têm que passar por avaliações, provas ou seleções, para realmente certificar de que estão aptos para o exercício da profissão. Alguns deles fazem mestrado, doutorado e outros ainda passam dois anos fora do Brasil, fazendo pós-doutorado, para alcançarem a competência necessária exigida pelo cargo. Porque um vereador depende somente do voto?
Com um parlamentar ou qualquer outro gestor público mais qualificado, a política brasileira aumenta significativamente as chances de ter mais acertos: os projetos elaborados chegariam mais próximo das reais necessidades da população, atendendo aos anseios da comunidade. Uma formação específica para políticos permitiria a eles a oportunidade de trabalharem conforme as mudanças sociais, respeitando as leis ambientais e as restrições ou permissões no espaço urbano.
Acredito que uma formação adequada permite ao parlamentar fazer uso de todos os mecanismos legais para fiscalizar as ações do executivo, acompanhar os gastos e investimentos públicos com mais eficiência, e analisar com mais embasamento os projetos de lei, procurando o desenvolvimento sustentável e responsável dos municípios.

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